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OPINIÃO

A Democracia Tem Lado —
E o Povo Preto Precisa Escolher o Seu

Há momentos na história em que a neutralidade deixa de ser virtude e passa a ser omissão. O Brasil se aproxima de um desses momentos. Diante da disputa política que se desenha para 2026, uma pergunta precisa ser feita de forma direta ao povo preto brasileiro: de que lado estaremos? Porque a democracia brasileira, como sempre, será testada mais uma vez. Durante séculos, o povo negro construiu este país sem jamais ser plenamente convidado a governá-lo. Trabalhou, resistiu, organizou comunidades, produziu cultura, fé e identidade nacional. Mas quando chega a hora das decisões políticas, ainda há quem espere que o povo preto permaneça apenas como massa eleitoral — nunca como sujeito do poder. Essa lógica precisa acabar. Hoje, o Brasil possui uma geração inteira de negros e negras qualificados, escolarizados, politicamente conscientes, formados nas universidades, nos movimentos sociais, nas periferias urbanas e nas lutas históricas contra o racismo estrutural. Ignorar essa força política já não é apenas injusto — é um erro estratégico para qualquer projeto democrático. A história prova isso. Nos anos mais duros da repressão da ditadura militar brasileira, foram justamente os territórios populares, os movimentos culturais e comunitários e as organizações negras que mantiveram viva a chama da resistência democrática. A democracia que hoje existe no país também foi construída pelas mãos negras deste Brasil. Por isso, a questão que se impõe agora é nacional. O povo preto brasileiro precisa compreender o tamanho de sua própria força política. Não se trata apenas de eleger representantes. Trata-se de definir o rumo da democracia brasileira. E democracia não é uma palavra neutra. Democracia tem lado. Tem o lado da concentração de poder, do elitismo político e das estruturas que historicamente excluíram a maioria negra da população. E tem o lado da democracia popular, aquela construída nas periferias, nos movimentos sociais, nas organizações comunitárias e na luta cotidiana por dignidade. Nesse cenário, lideranças que vieram da base popular demonstraram que essa transformação é possível. A trajetória de Benedita da Silva é um exemplo histórico de como a política brasileira pode mudar quando as periferias e o povo negro deixam de ser apenas eleitores e passam a ocupar os espaços de poder. O Brasil de 2026 não será decidido apenas pelos grandes acordos partidários. Será decidido pela capacidade de mobilização de quem sempre sustentou o país: o povo trabalhador, o povo das periferias e, em grande medida, o povo preto. Por isso, é preciso dizer sem medo: temos que ter lado. E o lado que corresponde à história de luta do povo negro brasileiro só pode ser um: o lado da democracia popular. Não como discurso. Mas como projeto real de poder para transformar o Brasil.

EXECUTIVA NACIONAL
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