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Programa Resenha da Amendoeira valoriza a música negra periférica de Seropédica

Programa Resenha da Amendoeira valoriza a música negra periférica de Seropédica

O chão de barro de Seropédica, muitas vezes invisibilizado nos grandes
circuitos culturais do Rio de Janeiro, está vibrando em uma nova frequência. O
motivo tem nome, sobrenome artístico e um propósito claro: Guilherme Furtado, o
MC GG do Lava Jato. Através do projeto audiovisual “Programa Resenha da
Amendoeira”, a cidade assiste à consolidação de uma cena musical negra e
periférica que, embora sempre tenha existido, agora conquista o suporte técnico e a
visibilidade que merece.
Financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o projeto
não é apenas uma série de vídeos de performances ao vivo; é um manifesto
estético. Gravado no coração da comunidade Campinho de Areia, o programa
coloca os holofotes sobre jovens talentos locais, transformando a Casa de Cultura
Amendoeira em um polo de produção de conteúdo de alta qualidade.
GG do Lava Jato não caiu de paraquedas na gestão cultural. Desde 2013, ele
lapida sua voz no Funk, e desde 2016 fortalece o coletivo Gravadora Abate. Sua
trajetória é marcada pela consciência social. Quem ouve o hino “Isso é Culpa da
Pedreira” entende que sua arte é indissociável do território: a música expõe as
feridas do racismo ambiental que afeta os moradores de Seropédica, transformando
a dor em pauta política.
Agora, à frente da Resenha da Amendoeira, GG assume o papel de mentor e
articulador. Ele sabe que a arte na periferia é, acima de tudo, um exercício de
sobrevivência e coletividade. Durante as gravações, o clima é de celebração, mas
também de profissionalismo rigoroso. “Sou cria de Seropédica… Deus me abençoou
e hoje eu tô podendo dar essa oportunidade para os artistas da cidade”, afirma o
MC, sintetizando o espírito de “nós por nós” que rege a iniciativa.
O Programa Resenha da Amendoeira cumpre uma função vital ao
documentar a produção contemporânea da juventude negra local. Em um cenário
onde o acesso à produção cultural é muitas vezes restritivo, a PNAB cumpre seu
papel democrático ao chegar na ponta, permitindo que a estética da Baixada
Fluminense seja registrada com o brilho que lhe é de direito.
A Casa de Cultura Amendoeira, sob a liderança de GG, reafirma-se como
esse “quilombo urbano” de troca de saberes. O espaço vira espelho onde o jovem
de Seropédica se vê não como estatística, mas como protagonista, criador e dono
de sua própria narrativa. O projeto é um lembrete de que arte e cultura não são
produzidas apenas por pessoas vinculadas à Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro; ela nasce, resiste e floresce sob a sombra das amendoeiras do Campinho
de Areia.

Gravadora Abate

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