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Um ano sem justiça: caso Gabriel Pereira dos Santos será lembrado em ato neste sábado em Tinguá

Um ano sem justiça: caso Gabriel Pereira dos Santos será lembrado em ato neste sábado em Tinguá

No dia 16 de agosto de 2024, a rotina de uma família e de toda uma comunidade foi brutalmente interrompida. Gabriel Pereira dos Santos, jovem de 24 anos, noivo, trabalhador e querido pelos amigos, teve sua vida ceifada em circunstâncias que, até hoje, um ano depois, permanecem sem responsabilização concreta. A tragédia, marcada por fortes indícios de abuso de autoridade e uso desproporcional da força policial, ainda provoca profunda dor e revolta entre familiares, amigos e moradores de Tinguá, em Nova Iguaçu, reacendendo o debate sobre a violência letal e a impunidade que paira sobre a Baixada Fluminense.

Na manhã do crime, Gabriel havia deixado sua noiva no trabalho, em Vila de Cava, e retornava para casa em sua motocicleta. No caminho, foi abordado por dois policiais militares. Conforme relatos e registros do inquérito, um deles — o terceiro-sargento Allan Mendes Rocha — encontrava-se no meio da estrada, com arma em punho, e disparou pelas costas contra Gabriel. A vítima, que usava fones de ouvido no momento, não percebeu a aproximação. O tiro o atingiu fatalmente, fazendo-o cair cerca de 20 metros à frente, onde morreu instantaneamente.

A mentira para justificar o injustificável

Logo após o crime, uma versão distorcida passou a circular: a de que Gabriel estaria “empinando a moto” e teria “jogado o veículo contra o policial”, o que supostamente justificaria o disparo. Essa narrativa, reproduzida em redes sociais e canais de informação, foi desmontada por provas concretas. Testemunhas afirmaram categoricamente que Gabriel trafegava normalmente, sem qualquer manobra arriscada, e que não esboçou reação contra a abordagem. Um vídeo divulgado pela ComCausa — extraído de câmeras de segurança — confirma visualmente que não houve ameaça ou conduta agressiva por parte da vítima. Para familiares e defensores de direitos humanos, essa falsa alegação fez parte de uma tentativa de criminalizar a vítima e minimizar a responsabilidade do agente envolvido.

Ato em memória e por justiça

O ato principal em memória de Gabriel está marcado para este sábado, 16 de agosto, às 15h30, exatamente no local onde o jovem foi morto. A atividade reunirá familiares, amigos, lideranças comunitárias, entidades de direitos humanos e apoiadores. Mais do que relembrar a vida de Gabriel, a mobilização buscará reforçar o pedido por justiça, denunciar a impunidade e exigir que o Estado se posicione de forma efetiva.

Segundo Adriano Dias, coordenador da ComCausa – Defesa da Vida, “o que aconteceu com Gabriel não pode ser tratado como mais um número nas estatísticas. Foi uma execução, registrada em vídeo, com testemunhas, e mesmo assim seguimos sem responsabilização. Isso não é só sobre ele, mas sobre um padrão de violência que atinge jovens negros e moradores de periferias em todo o estado. A nossa presença nas ruas é para dizer que não vamos esquecer, e que vamos continuar cobrando até que haja justiça.”

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